O BASQUETE DOS DOMINGOS
A bola sobe das mãos do arremessador, bate na tabela de chapa, rodopia duas vezes no aro empenado e duro mas não entra na cesta de correntes. Era a última bola, aquela que fecharia em vinte e um e a bola sobra para mim que abraço e a seguro. Muito mais que um lance comum do basquete, esta movimentação representou a passagem da responsabilidade de manter acesa a reunião esportiva dos domingos patagônicos. Começou com Sabaté, batendo a sua bola, subindo a Av. Argentina para ir jogar sozinho na quadra pública da Av. Leiloir. Aos poucos. foi convidando a um e a outro, brasileiros ou argentinos e assim conseguiu formar um grupo que assiduamente passou a freqüentar o basquete do Sabaté. Com frio de Bajo Cero ou com calor de 42ºC, com ventos que desviavam as bolas mais certeiras e que serviam de justificativas, estávamos sempre jogando nas matinas dos domingos. Sempre com piadas, com bromas ou chistes, mas com uma unidade de grupo esportivo para aliviar as agruras da Patagônia. Diziam as más línguas que, já que a bola era sua, o regulamento também era dele, que registrava: · Artigo 1º: As infrações e pontuações serão decididas por Sabaté. · Artigo 2º: Em caso de duvida, prevalece o disposto no Artigo 1º. Tudo brincadeira que se encerrava num almoço regado a um bom vinho, acompanhado pelos doces e bolos da D. Edna, que assim cativava aos mais assíduos boleiros. Hoje, a responsabilidade de manter o grupo está comigo, simbolicamente a bola já foi passada depois da volta do Sabaté e já penso em fazer pequenas alterações no regulamento, coisa pouca, somente mudarei o nome. Segurando a bola do jogo, ainda ecoa um “puta de la madre” desabafado pelo arremessador Sabaté, após o lançamento que não entrou na tabela de chapa metálica, gravada com o nome e telefone de Enzo o serralheiro, com aro empenado e cesta de correntes. Valeu, amigo... 
Escrito por deoqueiroz às 22h09
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LIÇÕES DO FUTEBOL As entrevistas e os comentários que se tem feito sobre este jogo do Barcelona contra o Santos tratam de uma constatação obvia de que o futebol praticado pelas equipes brasileiras está empobrecido de jogadores, técnicos, comentaristas e dirigentes. Na medida em que as bolas altas representam os números mais eficientes de gols obtidos, na medida em que os alas são os elementos mais importantes das equipes com um trabalho insano de marcar atacantes ou alas que sobem e atacar para alçar bolas na área adversária, vemos que algo está equivocado. Os treinadores com sua empáfia discutem em suas entrevistas o posicionamento dos defensores em quatro ou três, o que tornaria uma equipe mais ou menos ofensiva ou vice-versa. Os comentaristas no seu soberbo conhecimento endossam as verdades dos “treineiros” que somente se preocupam em treinar bolas paradas e arremates a gol. Vimos um Barcelona que independentemente de sua estrutura que privilegiou a formação de jogadores, apresenta uma equipe com uma preparação física excelente, com todos os jogadores se deslocando e um uma troca de passes incessante, muito acima da média mundial. Registros estatísticos indicam uma troca de passes de aproximadamente 750 passes por jogo, enquanto a média normal é de 300, numa equipe razoavelmente bem treinada (?). Lembro do “amarelo e preto” do Vangil que jogávamos e em algumas situações atingíamos de vinte a trinta toques antes de chegar ao chute a gol. E era uma equipe de veteranos, que a correria não funcionava no calor do Rio de Janeiro. Pergunto, qual é a equipe brasileira ou treinador que ainda pratica o coletivo de dois toques. Era a base de nossa preparação técnica do futebol. Depois de Lazaroni, os “treineiros” resolveram inovar e cada vez mais tornaram a sinfonia, a academia a orquestra num samba de crioulo doido, com muitas faltas na ânsia de recuperar a posse de bola e correria do ala que privilegiava a triangulação do meio campista empolgado com o calor da torcida. Enquanto o Neymar falava que tomamos uma aula de futebol, o Guardiola falava que aprendeu com o futebol brasileiro do passado. Triste ironia e ainda falam que somos saudosistas...
Categoria: ESPORTIVOS
Escrito por deoqueiroz às 20h41
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O PODER DA CONCORRENCIA
A emergente economia que aflora nos mais profundos rincões do Brasil atual faz com que muitos empreendedores procurem abrir seu comércio, sua indústria, com muita voluntariedade mas com pouco conhecimento do que seja seu proprio negócio e principalmente das relações com seus concorrentes. Michael Porter, academico americano que atua na área de Estratégia Empresarial, desenvolveu um modelo de análise da concorrencia, que denominou as Cinco Forças da Concorrencia. Este modelo propõe que a atratividade potencial de um ramo de negócio pode ser analisada através do exame das Cincos Forças antes de abrir seu empreendimento. Esta análise correlaciona a intensidade de competição com o poder dos produtos substitutos, com o poder dos fornecedores, com o poder dos compradores e o poder dos novos entrantes. A primeira força obviamente que está correlacionada com intensidade de competição entre as empresas. É impactadada por fatores como: o número, a homogeneidade dos participantes, a distribuição dos playeres no mercado, a especificidade dos investimentos e a estabilidade da demanda e dos suprimentos dos insumos. A segunda força está relacionada com a participação de produtos substitutos ou de produtos que, de alguma maneira, podem substituir o seu produto. Essa força, é preponderante numa área com poucos concorrentes diretos ou onde há dificuldade de crescimento dos fornecedores de insumos. Obviamente, o participante fica limitado, sem muitas margens de manobras. Numa industria dinâmica com muitos playeres e com a demanda e fornecedores estruturados e bem distribuídos, o poder dos produtos substitutos não é marcante. As duas outras forças que impactam os resultados estão relacionadas com o poder dos compradores e o poder dos fornecedores. Em ambos os casos, a empresa tem que estar atenta à quantidade de fornecedores ou de compradores e às suas distribuições. Quanto mais pulverizados estiverem os fornecedores ou compradores, estes terão menor poder de atuação. O autor propõe a utilização de uma matriz de fornecedores, onde se pode avaliar a importância do fornecedor na cadeia de suprimentos do comprador. A quinta força está correlacionada com o poder dos novos entrantes no mercado. Além desta força, são ressaltados dois componentes que de uma certa forma afetam os mercados. O primeiro é referente à participação do governo com seu poder regulatório dos mercados. A ação governamental pode afetar níveis de rivalidade, o poder dos compradores e dos fornecedores, assim como, restringir ou incentivar a participação de novas empresas na industria. O segundo componente refere-se ao histórico do setor de comercio ou industria e suas instituições. Empresas sólidas que estão operando por um longo período de tempo demonstram um nível de resultados melhor que industrias incipientes o que provoca um elevado índice de falências. Os levantamentos existentes registram o encerramento de mais de 60% de empresas novas que fecham suas portas em um prazo máximo de dois anos.
Escrito por deoqueiroz às 10h47
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ENGENHARIA: ESTIMATIVA OU CHUTE?
Em vários momentos da nossa vida profissional somos solicitados para avaliações em obras de engenharia. São parentes que pedem para um puxadinho dos fundos, outros que aparecem com recortes de revistas de decoração e querem saber quanto vai custar colocar todos os recortes num terreno de 10 x 10m. Ou às vezes, o cliente que quer saber de “custos estimados“ para uma alternativa de projeto. Os americanos chamam de “rule of thumb”, os suecos de “tummregel” e os argentinos de “regla del pulgar” às tentativas de uma aferição baseada na experiência do avaliador, sem ter contudo uma base cientifica ou instrumento de precisão. Esta expressão tem sua origem no uso, pelos antigos carpinteiros, do dedo polegar como unidade de medida de seus serviços. Indiretamente reflete a imprecisão ou a incerteza das medidas. Quanto mais se aproxima o polegar do objeto, mais precisão se obtém da medida. O balançar do polegar com o braço esticado a frente significa que uma estimativa está sendo produzida pelo sinalizador com uma precisão exata do “mais ou menos”. No Brasil, a expressão muda para o uso da palavra CHUTE. Como típico do brasileiro, a expressão foi buscada no futebol e representa uma tentativa de se acertar um alvo, uma meta ou um gol. A precisão da estimativa está na qualidade do avaliador no atingimento de sua meta. Alguns colegas engenheiros definem a palavra CHUTE como um agrupamento de letras iniciais de ciências que se fundem para determinar a real acepção da expressão. Assim, o vocábulo CHUTE representaria um Cálculo Heurístico Universal Teórico Estatístico. Ou seja, um cálculo que se utiliza da Heurística - ciência baseada em experimentos anteriores; um cálculo que é Universal porque é de uso comum no Universo da Engenharia; é Teórico por que não é embasada em cálculos matemáticos ou fundamentos científicos e é Estatístico porque embute graus de certeza na predição. O grau de certeza da precisão da estimativa tem sido exaustivamente discutido no âmbito da Engenharia e variado segundo o ponto de vista do avaliador. O ICEC, International Cost Engineering Concil, define margens de erro ou graus de variação de orçamentos baseadas em dados disponíveis, de acordo com a tabela abaixo: Estudo de Viabilidade econômica | +/- 25% a 30% | Orçamentos com o Projeto Básico | +/- 10% a 15% | Orçamentos com o Projeto Executivo | +/- 5% a 10% |
São valores reconhecidos internacionalmente que podem ocorrer em função das informações existentes no instante da avaliação. Estudos de viabilidade econômica são elaborados a partir de um anteprojeto, com alternativas indefinidas e especificações genéricas. O grau de precisão é elevado face à incerteza dos dados disponíveis. Nesta etapa se define a viabilidade técnica e econômica do projeto. Na etapa seguinte, de Projeto Básico, se elegem as alternativas técnicas e econômicas mais viáveis e são fornecidos os elementos necessários e suficientes para caracterizar as obras e/ou serviços e que possibilitem a determinação, do custo do projeto e definição de métodos e prazos de execução e com o nível de precisão adequado ao proprietário do empreendimento. Esta etapa consolida o escopo dos serviços. Com o Projeto Executivo disponível, o grau de assertividade aumenta e a incerteza da precisão do orçamento regride. Nesta etapa, são contemplados os levantamentos topográficos, os ensaios e sondagens de verificações das condições locais do projeto, os detalhes construtivos, as especificações complementares e com estes elementos se reduzem as indefinições e incertezas que impactam os orçamentos. Assim como os carpinteiros da Antiguidade que aproximavam o polegar do objeto trabalhado para ter precisão em suas medidas, é fundamental que os engenheiros tenham a responsabilidade de aprofundar-se nos detalhes de um projeto de modo a ter um maior grau de certeza em suas estimativas. CHUTE... somente para futebolistas.
Categoria: TÉCNICOS
Escrito por deoqueiroz às 00h47
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CHEIRO DE SAUNA GAY - Estorias de obra
Por ser muito metódico e organizado, a Gervasio era atribuída a elaboração do Data book da obra. Documento de vital importância no registro de todos os eventos ocorridos durante a fase de construção. Tinha que colecionar resultados de ensaios dos controles tecnológicos, compilar os dados dos levantamentos topográficos tanto das primitivas quanto das seções de terraplenos executados. Em sua memória digital guardava o scanner do andamento das estruturas de concreto, assinalando as performances, os atrasos e os desvios de avanços. Como resquício de sua época militar, era autoritário com sua equipe e tinha o respeito dos demais devido aos seus mais de trinta anos de empresa. Com seu bigode farto, porém grisalho, tratava a todos como um sargentão, ecoando a sua voz nos corredores longos do escritório de obra. Seus membros da equipe se esquivavam quando punha os apetrechos de proteção individual e pendurava a câmara fotográfica especial para sair pelo campo a monitorar o andamento das obras. Em alguns momentos e principalmente quando tinha novatos na equipe, as imagens das construções eram mescladas com closes de flores, panorâmicas de por do sol, das ondas das águas represadas e mais ainda de fotos do desafortunado acompanhante, em perfil a contra luz, de torso nu, contrastando com as montanhas do horizonte. Distraidamente, algumas fotos foram parar no arquivo geral da construção, mas nada que comprometesse o Gervásio. Porém fizeram os seus subordinados se esquivar de sair ao campo para acompanhar nas tarefas incumbidas ao setor. A rádio peão já identificava o intento e, quem fosse, caía na boca da peaozada. Mas quem derrubou mesmo o Gervásio, foi a Cleonice. Responsável pela limpeza do restaurante, sempre reclamava do mau cheiro que ficava nas mesas e balcões a cantina, a cada inicio de semana. E de tanto reclamar, conseguiu do chefe da obra a compra de fragrâncias olorosas para disfarçar o mau cheiro que incomodava a muitos. No primeiro dia da aplicação da essência odorífera, Gervasio com suas narinas afiadas, reconhece o olor, e ao lado dos seus meninos de trabalho, com o garfo e faca nas mãos, saúda a Cleonice, para que todos ouçam: - Até que enfim, menina, parabéns, o restaurante está com cheiro de sauna gay!!!!
Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 23h29
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ALEGRIA DE SER AVÔ
Um belo domingo de poucas cinzas no céu e sol brilhante, apesar do frio, recebo uma ligação de meu filho Bruno, com a noticia: - Salve , salve, vovÔ!! Me senti um pouco confuso e alegre. Estaria preparado para ser um bom avÔ? A chegada do primeiro neto é um momento deciciso na trajetória das pessoas. Não chega a modificar a vida como em um nascimento de filho, mas traz grandes mudanças nas relações familiares. Uma imensa alegria, uma injeção de animo na vida. Uma nova fonte de afeto que chega quando os sentimentos começam a ficar enrijecidos. É o momento de trazer ao coração um carinho ocioso não mais exercitado com os filhos que cresceram, que se tornaram adultos e fizeram suas proprias opções de vida. Os netos nos contagiam com alegria infantil e nos faz voltar à primeira infancia. Nas palavras do psicologo argentino Javier de las Heras: "Cuando nace el nieto, los abuelos consideran definitivamente a su hijo como un adulto, y le tratan como a un igual". Obrigado Bruno, pelo presente que me trazes.
Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 22h39
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OS RATOS INCOMPTENTES “A tua piscina está cheia de ratos”. Esta frase não é minha, mas vem martelando minha cabeça, já há algum tempo. De Cazuza, representa o que há de mais atual na estrutura política do Brasil. Em menos de seis meses, os escândalos se multiplicaram numa proporção assombrosa e que faz corar as frias e álveas colunas dos palácios brasilianos. O sistema político brasileiro degringolou-se na medida em que o foco passou direcionar as políticas para as disputas eleitorais, para as disputas pelo poder, para a agregação de forças de sustentação nas câmaras de representantes. Cristovan Buarque expressou bem esta mudança quando disse: “Políticos comunistas, socialistas e capitalistas liberais lutavam pela democracia, e pela igualdade e fraternidade. Seus partidos se organizavam por suas bandeiras para lutar por um país melhor para todos. Ao perderem bandeiras, os militantes se transformaram em filiados, os políticos em carreiristas e os partidos em clubes eleitorais. As bandeiras, causas e idéias foram substituídas por metas eleitorais; os discursos e convencimentos pela manipulação do marketing; e os candidatos e políticos substituíram os líderes e estadistas. A luta foi substituída pelo apego aos cargos”. Cargos que trazem prestígio, cargos que trazem poder, cargos que trazem manipulação de verbas, cargos que trazem desvios do dinheiro público, sem a menor consideração com ética pessoal e embasada numa pretensa impunidade permitida pelos melindres jurídicos. Os ratos incomPTentes passeiam pelas largas avenidas de Brasília. Associados a outros ratos de agremiações diferentes, mas com o estigma da corrupção estampado na testa, procuram sorver o patrimônio publico até a última gota. Na sua contumaz incomPTencia, dezenas, centenas são presos, mas outros aparecem e ressurgem incomPTentes no sorvedouro dos nossos impostos. O resultado está visível com as estradas esburacadas, com os hospitais públicos sucateados, com a educação empobrecida de alunos sem merenda e de professores na penúria. Precisamos acabar com esta forja de ratos que assombra os buracos brasilienses. Precisamos dar um basta nesta calamidade que está se tornando um estigma para todos brasileiros. A nossa piscina está cheia de ratos... Um pouco mais de indignação vem ao ver o video apresentado no link anexo: http://www.youtube.com/watch?v=4b1aCNq6wLs
Categoria: POLÍTICOS
Escrito por deoqueiroz às 23h58
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SOU DO TRECHO Para os que não conhecem a expressão, ser do trecho, significa ser de obra, significa dar seu sangue e quase toda a sua vida a rodopiar feito pião pelas obras que a empresa te encaminha.
Este texto, recebi do Engº Yorgy Koury, filho de meu conterraneo de Juazeiro e colega de universidade Jorge Karaoglan e representa todo o sentimento destes homens que se dedicam a levar a técnica da engenharia a todos os cantos de Brasil e do mundo. Eu Sou Du Trecho...
Ser do trecho é arrumar as malas sem saber o que vem pela frente com uma única certeza: eu tenho que me acostumar!!!
É estar longe da família e dos amigos de confiança e conviver com pessoas que, geralmente, nunca viu e tentar fazer delas seus novos amigos, aprendendo sua cultura, sua lingua, suas musicas e danças, pois é com eles que estará convivendo dali pra frente.
É não ter todos os dias o abraço da mãe, do pai, dos irmãos, do marido ou da esposa; e gastar um dinherão de telefone ou Skype, quando tem sinal, para poder apenas ouvir a voz deles.
É ter a alegria de reencontrar um amigo de trecho que não via há anos, se emocionar e constatar que "o mundo é grande, mas o trecho é pequeno".
É acordar bem cedo para ir pro trampo e não saber a que horas vai voltar; mas se sai mais tarde fica feliz de anotar mais uma hora extra no seu caderninho.
Ser do trecho é cochilar depois do rango no serviço em qualquer lugar...
Ser do trecho é falar mal do GATO (firma) quando o dinheiro não cai no dia certo e sair espalhando que não caiu!!!!
Ser do trecho é sair espalhando que a grana caiu e já aproveitar pra chamar a turma para comer água mais tarde e dizer que hoje não vai ter puta pobre (se for baiano então...)
É fazer, geralmente, trabalho desgastante e de responsabilidade, correr riscos, e estar sempre com o sorriso no rosto.
Ser do trecho é ficar louco para ir para casa ver a família, sempre está ligado em promoções de passagens aéreas pra poder visitar a família.
É sempre passar um tempão tentando explicar porque leva essa vida e ninguém nunca entende, mas não precisa ficar muitos dias, porque não consegue mais ficar longe do trecho... é querer logo viajar de novo.
É ter tudo cabendo em uma mala bem grande, e deixar o resto pra trás nas repúblicas por onde passa...
Ser do trecho é ser amigo, ser divertido, ser carente, ser batalhador.
É ser um ombro amigo para um colega que no desespero pensa em chutar o balde e ir embora
É sempre saber jogar dominó, baralho, sinuca ou tótó... É correr os sites de futebol al vivo para acompanher os jogos do seu time de coração, transmitindo sua energia via Internet, como estivesse nas arquibancadas enrolado no bandeirão. É marejar os olhos e engasgar, ouvindo o Hino Nacional, quando dos jogos da seleção É não ter feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga e sempre está pronto pra trabalhar fim de semana.
É ter a sanidade mental posta em cheque antes dos 5 meses de trabalho no GATO(empresa).
É ter vontade de desistir,...pois tem horas que dá vontade de largar tudo e ir embora... tem horas que bate um desespero, uma saudade... em pensar na turma de escola, nos amigos, na familia...
É não se apegar ao teu lar, pois ter que se apegar a um lugar fixo deixará tua alma IRRIQUIETA E ANSIOSA PELO AMANHÃ...
É fazer muita amizade, conhecer lugares diferentes, culturas diferentes, a gente conhece o nosso País.
Ser do trecho é uma questão de estilo: ou vc tem ou vc não tem... Se fosse pra ter um adesivo no carro, o mesmo seria: "Orgulho de ser do trecho"
Só quem vive sabe como somos e como estamos...
SOMOS GUERREIROS E PENSAMOS EM UM FUTURO MELHOR PARA NOSSOS FILHOS...
Tem gente que diz que a gente é bicho burro, mas eu digo:
A gente que é do trecho, é gente BOA!!!!!
Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 16h17
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A COISA E O COISISTA
Não sei quem é o autor dessa coisa, mas só sei que essa coisa é uma coisa boa de ler, e me fez lembrar de um amigo vascaíno... A Coisa A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português. A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?". Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha. Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas. Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!". Devido lugar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa). Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus". Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro". Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa...Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem." Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma. Feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa". Se em nome do poeta, coisa virou cousa, em nome do vascaino, coisista tem outra referencia. Coisista virou simbolo do torcedor flamenguista, desde o momento que o flamengo virou coisa. JEOVÁ, ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?
Escrito por deoqueiroz às 21h32
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BIEN, ERRAR É U MANO
Depois que escrevi os comentários do post passado, sentei na frente da TV para assistir ao jogo do Brasil, esperava não ter que pagar pelos comentarios do jogo da Argentina... BIEN, ERRAR É U MANO Pus a bandeira amarelinha na sacada da varanda e abri uma Quilmes Stalt, da negra para lembrar da nossa raça... BIEN, ERRAR É U MANO Comecei a me animar com a troca de passes, com as arrancadas de Maicon, com as pedaladas de Robinho, com as firulas de Neymar, mas o gol não saia.... BIEN, ERRAR É U MANO O tempo passa, o desespero começa a chegar na meninada, cada um querendo resolver a sua maneira, e as jogadas ridículas começam a aparecer... BIEN, ERRAR É U MANO Vi que a passagem do Maicon, que vem desde a era de Cafu e Roberto Carlos, foi fechada pelo técnico paraguaio que ainda colocou um autentico ponta esquerda para prender o coitado que tinha que voltar correndo para cobrir a ele mesmo.. BIEN, ERRAR É U MANO O meio campista Lucas, galego europeu, estava mais para limpador de para brisa do que volante, correndo de um lado para outro para cobrir os avanços pífios dos laterais... BIEN, ERRAR É U MANO Notei uma linha de defesa mal armada e desprotegida, se safando a base de muito esforço e de muito chutão na saída de bola. BIEN, ERRAR É U MANO Um meio de campo que não arma, não chuta e nem chega junto, apático e sem criatividade, aguardando o Neymar, muito marcado, resolver... BIEN, ERRAR É U MANO Assisti uma cobrança de pênaltis descompromissada, que nem o meu amigo Abraão cobraria tão mal. Pelo menos o Abraão acertava alguma coisa, a bandeirinha de escanteio.. BIEN, ERRAR É U MANO Na varanda, ao recolher a minha bandeira amarelinha, vi algo passando, pensei que fosse o retorno dos aviões depois das cinzas do vulcão, mas apertando vista, deu para ver a bola e reconheci a patada de Elano que chegou por aqui, na Patagonia, a 1200km de Buenos Aires... BIEN, ERRAR É U MANO Para os amigos argentinos, eliminados na véspera, só tive a desculpa de ter ido embora, por educação e consideração pela saída antecipada do anfitrião da festa... PORRA, ESTA EU ACERTEI
Categoria: ESPORTIVOS
Escrito por deoqueiroz às 23h08
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O MARANAZZO DO RIO DA PLATA
O dia 16 de julho representa uma data marcante para o futebol uruguaio. Durante mais de meio século esta marca figurou emblemática na memória dos brasileiros e com muita alegria nas recordações uruguaias. A vitoria uruguaia da Copa do Mundo em pleno Maracanã, em 1950, um Maracanazzo, como disseram, que levantou mitos e destruiu jogadores por muito tempo. Ontem, nesta mesma data de 16 de julho, os uruguaios deixaram a mesma marca da tristeza, da extinção das chamas d apaixão de um povo. A raça e a vibração aliadas a um futebol competitivo calaram os espectadores platinos, e criaram novos mitos no mundo do futebol Se de um lado, os argentinos tinham o futebol de uma nota só do Messi, os uruguaios tinham a agudeza dos lances de Forlan; Se de um lado, os argentinos tinham a insegurança de um arqueiro, pelo lado celeste, apresentava-se um exuberante Muslera, argentino de nascimento, mas de pais uruguaios. Se de um lado, a defesa uruguaia se segurava num ferrolho defensivo de duas linhas, a defesa argentina batia cabeça, principalmente nas bolas altas. Se de um lado os uruguaios tiveram uma consciência tática para suportar os avanços adversários e sair em contra ataques, os argentinos dependiam de uma jogada de Messi, que apesar da habilidade e de uma grande visão de jogo, apresenta uma única jogada. A saída em diagonal da direita para a esquerda, já está ficando conhecida. Se de um lado o técnico uruguaio mostrou conhecimento e ousadia ao trocar ao mesmo tempo os seus dois volantes, quando sentiu que estava perdendo o meio de campo, o Batista manteve a estrutura da defesa, com quatro beques e dois volantes para segurar apenas o Furlan e o Suarez. Se de um lado, os batedores argentinos não suportaram a pressão da torcida e bateram mal os pênaltis, mesmos os anotados, os uruguaios foram precisos e conscientes não errando nenhum. A pressão por Maradona voltou. Acho que não é o caso, mas o técnico Batista não é o ideal para administrar os egos e os desentendimentos internos que afloram na equipe argentina. Além disso, Messi precisa recuperar sua imagem local e entender que futebol é um jogo de equipe e que a sua apatia de determinados momentos contamina os companheiros.
Categoria: ESPORTIVOS
Escrito por deoqueiroz às 15h02
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AHORA SOY ARGENTINO! Agora que já recebi meu DNI (Documento Nacional de Identidad), com o Visto de trabalho vigente, me sinto como os argentinos, e assim: Já posso escrever estas linhas aproveitando o feriado do dia da Bandeira ou da gloriosa passagem do General Belgrano para a imortalidade, por que AHORA SOY ARGENTINO! Já posso considerar Messi o melhor jogador do mundo e chamar o Neymar um indecifrável, por que AHORA SOY ARGENTINO! Já posso dizer que as cinzas do vulcão são das empoeiradas bandeiras do VELEZ, saídas do armário para comemorar um título nacional tardio, por que AHORA SOY ARGENTINO! Já posso tocar bumbo, durante as paralizações sindicais, varando noites frias com os barra bravas e aquecendo o corpo com Fernet misturada com Coca Cola, por que AHORA SOY ARGENTINO! Já posso concordar com Julián Marías (*), que diz que: “Los argentinos tienen dos problemas para cada solución. Pero intuyen las soluciones a todo problema… Cualquier argentino dirá que sabe cómo se debe pagar la deuda externa, enderezar a los militares, aconsejar al resto de América latina, disminuir el hambre de África y enseñar economía en USA”
Por que: AHORA SOY ARGENTINO! E para finalizar, já posso repetir Julián Marías, quando diz que: “Los argentinos son italianos que hablan en español…... pretenden sueldos norteamericanos y vivir como ingleses. Dicen discursos franceses y votan como senegaleses”.
AHORA SOY ARGENTINO!
(*) JULIÁN MARÍAS – Filósofo, Catedrático e Jornalista Espanhol
Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 23h20
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O BATISMO COM CINZAS DE VULCÃO Por um instante, o sol outonal deixa de aparecer. O céu, de um azul inconfundivel, dá lugar a uma nuvem de uma cor cinza que encobre o horizonte das bardas e as copas ds árvores desfolhadas de outono. O pigarro reacende, as vistas doem e uma leve poeira já pode ser retirada do casaco que aquece do frio, nos poucos instantes que se fica fora de locais abrigados. Uma parada para almoço traz a surpresa na volta, com o carro encoberto por uma fina poeira e necessitando acionar o lavador de parabrisa para poder sair com a visão segura. Triste contraditório, a Mãe Naturaleza se revolta e, ao mesmo tempo que traz lindas imagens de relampagos vulcanicos, que desconhecia, traz a nevoa brumosa de suas cinzas que enegrece a cidade e fecha a visibilidade de estradas, aeroportos e da própria cidade. Imagens podem ser vistas pelo site de Folha SP : http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/3126-vulcao-puyehue
Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 23h03
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O BABA OU A PELADA DE RUA Para aqueles que perdiam a cabeça do dedo, como meu irmão e outros amigos, Para aqueles que cortaram a sola do pé ao pegar a bola no meio do mato, como Paulo Pita Para aqueles que se cortavam na tiririca, quando iam pegar a bola no brejal da Sergi-Mirim, Para aqueles que faziam bobinho com os cachorros da Policia, Para aqueles que faziam tabelinhas com o meio fio como o finado Pitombo, Para aqueles garotos tristes sentavados no meio fio, vendo a vizinha rasgar ou o cachorro traçar a bola que caíra no quintal alheio, Para aqueles que davam voltas no meio de campo, com a bola dominada sem passar para ninguem, como o Paulo Perú, Para aqueles como George Torreté, Alfredo, Bira, Marcelo, Roberto, Niltinho e irmãos, Augustinho, Luis Bico, Manelitinho, Armando das Velhas, Maltez, Mauricio Camogonha, Marcelo Louxa e outros parceiros anonimos do futebol da Ruinha, que a memória não traz mais, apresento um esboço de regulamento do futebol de rua, enviado por meio filho Bruno e capturada na Internet: 
AS DEZ REGRAS DO FUTEBOL DE RUA - O verdadeiro futebol de Macho 1. A BOLA A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a lancheira do irmão menor.
2. O GOL O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola.
3. O CAMPO O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos grandes clássicos, o quarteirão inteiro.
4. DURAÇÃO DO JOGO O jogo normalmente vira 5 e termina 10, pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou escurecer. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.
5. FORMAÇÃO DOS TIMES Varia de 3 a 70 jogadores de cada lado. Ruim vai para o gol. Perneta joga na ponta, esquerda ou a direita, dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque.
6. O JUIZ Não tem juiz.
7. AS INTERRUPÇÕES No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada em 3 eventualidades: a) Se a bola cair no quintal da vizinha chata. Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação. b) Quando passar na rua qualquer garota gostosa. c) Quando passarem veículos pesados. De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é Gol.
8. AS SUBSTITUIÇÕES São permitidas substituições nos casos de: a) Um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer o dever da casa. b) Jogador que arrancou o tampão do dedão do pé. Porém, nestes casos, o mesmo acaba voltando a partida após utilizar aquela aguá santa da torneira do quintal de alguém. c) Em caso de atropelamento.
9. AS PENALIDADES A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar o adversário dentro do bueiro.
10. A JUSTIÇA ESPORTIVA Os casos de litígio serão resolvidos na porrada, prevalece os mais fortes ou quem pegar uma pedra antes ou fugir com a bola QUEM NÃO JOGOU, PERDEU UM DOS MELHORES MOMENTOS DA VIDA - Salve os bons tempos da Ruinha Sergi mirim de Mont Serrat, que a olha hoje, cercada de predios, não sabe que ali foram disputados as maiores partidas de futebol do planeta
Categoria: ESPORTIVOS
Escrito por deoqueiroz às 23h32
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UM OUTRO LADO DE BARILOCHE.
Nada de Cerro Catedral, nada de Cerro Campanario. Nada de passeios pelo lago Nahuel Huapi. Um passeio nada tradicional. Com um carro e um mapa nas mãos, a idéia era de conhecer o lado menos badalado desta cidade cada vez mais brasileira. Cinco horas de viagem acompanhando o Rio Limay, com seu caminho interrompido por represas hidroelétricas e com lagos de um azul da cor do mar. Salve Tim Maia, animando a viagem no MP3... As margens do rio surpreendem pela quantidade de seixos rolados, arrumados pela natureza como se fossem tapetes moldados pela mão humana. Mais surpreendente e mais acima e bem mais acima, esses seixos rolados aparecem nos taludes dos cortes da estrada, porém quase com metros acima do nível do rio. Geleiras descomunais ao fim da Era do Gelo transportaram essas pedras por quilômetros e quilômetros, com toda a sorte de sedimentos que desceram os Andes. E assim se transcorre a viagem até o Vale Encantado, onde torreões de pedra bruta e fraturada emergem e se equilibram a mais de mil metros de altura. Que força fantástica da natureza fez subir essas torres formando imagens e formas que tentamos assemelhar com as nossas paisagens e até encontramos um Dedo de Dios, apontando para a Criatura formadora dessa maravilha da Natureza. Já na cidade, circundamos o lago e entramos num atalho qu conduzia à península de São Miguel, na tentativa de encontrar a cidade de frente. Picadas em terra batida, emolduradas pela vegetação descolorida de outono e tapetes de folhas amareladas, permitiram chegar a uma visão de um lago de águas calmas, tendo ao fundo a cidade galgando os cerros monumentais com uma ainda incipiente cobertura de neve. Voltando à cidade, descobrimos porém o outro lado que denuda uma pobreza desproporcional e uma luta silenciosa de classes que por vezes incendeia e transtorna o balneário. Uma cidade irritada por suas próprias contradições, na definição de Wilgenhoff e Mariana Avila, jornalistas locais. Uma cidade que apresenta uma divisão sutil e ameaçadora de dois povos que não se misturam. Os do “alto”, favelizados em suas habitações desprovidas de conforto e que foram transferidos das margens do lago, do centro e dos “kilometros” para assentamentos das encostas com barracos de madeira e fechamento de papelões, com poucas escolas, praças e equipamentos de lazer urbano, sem água regular e sem coleta de lixo e esgoto. Enfim, uma cidade que revela dois pólos de visão. Uma, de uma cidade moderna, de uma cidade europeizada, de uma “Suíça Argentina”, que vive de um processo de consumismo exacerbado dos turistas. E outra do outro lado, num crescente processo de favelização com uma população de múltiplas origens latinas , que não consegue penetrar no circuito do consumo e lazer elitizados que se isola nos seus guetos e emulam e estimulam um potencial conflito social que por enquanto está latente e escondido nas fraldas brancas dos cerros nevados.
Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 23h37
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BRASIL, Homem, baiano/niteroiense engenheiro e escritor
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