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O RETORNO DO CAMPEÃO

Foi um digno e emocionante retorno de campeão.

Sozinho no apartamento, sentado no piso e recostado no sofá, como se fora a arquibancada da torre do meio da velha Fonte Nova, senti-me rodeado pelos amigos Maltez, Marcelo Ladeiro, Mauricio Camongonha, finado Pitombo, Armando das Velhas e o inesquecível Paulo Pita, além de uns vitorinhas que nos acompanhavam, tudo num ambiente de paz e amizade 

Cada gol que saia, a alegria fazia tremer o chão do salão vazio ou a preocupação prostrava-me abatido roendo os cantos das unhas.

Estes ciclos de euforia e tristeza eram dignos das grandes batalhas da imemorável Fonte, em que os gritos de gol e de incentivo eram substituídos por "ohs", "que merda" ou outros não publicáveis de desalento numa sinfonia alucinante.

Uma sinfonia em que os ritmos dos batuques acompanhando os cantos de guerra ensandeciam a massa tricolor que imperava como nos velhos tempos.
Até o minuto final sofri e vibrei e finalmente pude gritar da varanda um BORÁ BAEA MINHA PORRA, que, seguramente, nenhum dos vizinhos entendeu.

Parabenizo aos amigos tricolores pelo título demorado, mas jamais esquecido.

Parabenizo também os amigos perdedores, pelo VICE, aliás bi-vice, sempre recidivos.



Escrito por deoqueiroz às 12h10
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BRASIL x ARGENTINA - Outrora rivais , hoje parceiros, pero no mucho

Enquanto mordiscava lentamente um “ojo de bife rugoso”, entre goladas de um bom vinho mendociño, a televisão bombardeava com reportagens sobre a posse da Dona Cristina na Presidência da Argentina. Ouço ainda uma salva calorosa de palmas ao fundo do restaurante e associei com a chegada de Dona Dilma à Casa Rosada, com seu gracioso andar de pernas abertas e pisada forte. São brasileiros em visita a Buenos Aires exultantes com a nossa Presidente.

A troca de beijinhos entre as presidentes refletia muito mais que uma liturgia intima de amigas. Significava o reconhecimento da parceria necessária entre países que outrora foram rivais e hoje estão alinhados em suas transações comerciais.

 FOTO: exame.abril.com.br

A Argentina envia para o Brasil aproximadamente 20% dos seus produtos exportáveis e quase 32,5% dos produtos importados pela Argentina são brasileiros. Estes números demonstram que o Brasil hoje é o maior parceiro comercial da Argentina. Por outro lado, o Brasil proporcionou em 2011 um superávit da ordem de US$ 5 bilhões em sua balança comercial com a Argentina e apresenta cerca de 8% de suas compras oriundas de terras argentinas.

Este alinhamento comercial não traduz as divergências e rivalidades latentes que transcorreram desde os tempos coloniais e que agora se acirram por conta dos desequilíbrios financeiros portenhos

Tiveram uma origem comum como colônias exploradas por seus colonizadores. Tanto Portugal como Espanha tinham como primeiro objetivo a exploração das riquezas abundantes no novo mundo conquistado.

Os cortes dos laços coloniais tiveram aspectos singulares. Enquanto Brasil foi declarado independente por um imperador português e filho do rei, a Argentina se desvinculou no vácuo da Espanha em guerra com Napoleão. Apesar de lutas entre suas províncias que não aceitavam os ditames bonaerenses, a unidade foi mantida a custa de muito sangue e feitos heróicos e definida a partir de 1880.

Independentes, cada um procurou estabelecer vínculos comerciais com parceiros diferenciados. A Argentina buscou o apoio e intensificou uma troca de seus produtos com mercadorias inglesas e com intercambio dos excedentes de algumas províncias do norte com seus vizinhos Paraguai e Peru.  O fornecimento de produtos agrícolas por parte da Argentina, era moeda de troca por mercadorias manufaturadas da incipiente indústria britânica. Por outro lado, o Brasil, ainda que transacionasse produtos ingleses, procurava também abrir seu comércio à nova nação dos Estados Unidos da América.

Estes focos comerciais e os conflitos entre os interesses americanos e ingleses influenciavam a política externa sul americana e impactavam nas mentalidades dirigentes que a cada movimento dos vizinhos se vislumbrava uma atitude na busca da hegemonia continental.   

A segunda guerra mundial fortaleceu o vinculo estadunidense com o Brasil, por sua posição estratégica e por um inicio de flerte brasileiro com os nazistas. Os americanos construíram bases militares e financiaram a siderúrgica de Volta Redonda, base da era industrial em que o Brasil entraria, em troca desta vital aliança.

Já neste período, o intercambio comercial entre Brasil e Argentina apresentava fortes vínculos e o golpe de Perón em 1943 estreitou estes laços devido a convergências políticas e de matriz ideológicas, entrelaçando militares, trabalhadores e classes médias urbanas.

O pós guerra reforçou o alinhamento americano com o Brasil, apoiando na estrategia de derrubada de governos populistas e de viés esquerdistas. Estas intervenções americanas ocorreram também na Argentina como resultado da estratégia estadunidense de preservar os interesses de suas companhias e de um alinhamento político onde não interessava rupturas de vizinhos na zona  estratégica do Atlântico Sul. E entraram em cena os militares.

Na Argentina, pensamentos nacionalistas consideravam este alinhamento com os Estados Unidos uma subserviência que não promoveu intercâmbios econômicos que o Brasil conseguiu. Com o modelo econômico em frangalhos, recessão que empobreceu a classe média e uma divida externa elevada levou à Guerra das Malvinas, a Argentina postou-se num isolamento que tinha apenas o Brasil e alguns países sul americanos como seu apoio comercial de referencia para suas transações externas.

A partir dos anos 90, as sucessivas crises econômicas mundiais, fizeram com que os vizinhos hermanos procurassem uma postura mais presente no Continente sul americano, visto que o Mercado Europeu privilegiava o relacionamento comercial dentro de suas fronteiras. Por outro lado, a tentativa de imposição da ALCA, por parte dos Estrados Unidos integrando toda a America comercialmente, fortaleceu a formação e crescimento da congênere MERCOSUR, entidade que procura integrar economicamente os países membros, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Outros países tem demonstrado interesse em participar no Clube, mas ainda não conseguiram a formalização de adesão.

As recentes bravatas nacionalistas da Dona Cristina fizeram o mundo econômico voltar suas vistas para a Argentina. A tentativa de reaver as Malvinas/Falkland, depois de 30 anos de uma guerra perdida com o Reino Unido e nacionalização das reservas, meios de exploração e produção da privatizada YPF fizeram com que novamente os olhos se voltassem para a Argentina. Retaliações e restrições comerciais começam a surtir de diversos governos, principalmente europeus.

Contudo, os outrora rivais buscaram o seu vizinho das horas boas e más, intensificando-se  os contatos e procurando um maior alinhamento comercial, de modo que sejam ampliadas as compras em manufaturas de origem industrial e principalmente ampliando os investimentos na área petrolífera argentina. Nos encontros diplomáticos, apesar das negativas, pode ter sido solicitada a compra da YPF por parte da Petrobrás, apesar da suspensão das concessões de exploração na província de Neuquen, que faria parte da renegociação.

Vejo um pouco distante os beijinhos afetuosos das amigas presidentes, não passarão de protocolares, e vão ficar na base do " ai se eu te pego"  da foto abaixo. O Brasil tem outros interesses de investimentos para a Petrobrás (leia-se Pre sal) e não daria um passo de ajuda aos hermanos que tem uma legislação comercial flutuante aos sabores da Casa Rosada e desrespeitosa com as regras acordadas do Mercosur.  

FOTO: figaalvarado.com

 

                                                                                      



Categoria: POLÍTICOS
Escrito por deoqueiroz às 16h59
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BELTRÃO - O FUNCIONARIO PADRÃO

A obra era distante dos grandes centros, Precisamente em Mirianapolis, que ficava a mais de três horas em estrada de terra de Bom Jardim, centro de referencia regional, com seus trinta mil moradores, um pouco maior do que Mirianapolis, onde moravam cerca de cinco mil habitantes.

Beltrão não pode levar sua família, tinha cinco filhos em idades bastante diferentes e consequentemente em níveis escolares distintos. A educação era prioridade para os pequenos e para isso ele se virava. Garantia o pão de cada dia, se matando nos locais mais inóspitos desse Brasil sem limites.

Preferiu acomodar-se em Mirianapolis, dividindo  uma republica  com mais três companheiros. Dois em cada quarto. Afora a casa da família dos donos do antigo engenho, não havia casas com mais do que dois quartos na pequena Mirianapolis.

Do alto dos seus cinquenta anos e com a sua vida dedicada as obras, em que era encarregado de produção, era considerado um exemplo de dedicação ao trabalho, sendo reconhecido pela empresa que lhe dedicou um prêmio de funcionário padrão.

Mesmo fora do horário normal de trabalho, saia com a sua camionete para visitar a obra, e assim, na cumeada de um morro, imaginava soluções para melhorias de desempenho e de produtividade de seus meninos e de seus equipamentos. E, assim passava os sábados, domingos e feriados, matutando processos de melhorias contínuas.

Num domingo chuvoso, já escurecendo, ao voltar para a sua morada pela estrada enlameada, com poças de água que encobriam os buracos, encontra um Monza, ultimo modelo, com as rodas traseiras atoladas na valeta lateral de drenagem. A motorista tentava inutilmente acelerar o veiculo para tirá-lo do atoleiro. Em vão. 

Com seu espírito solidario, Beltrão parou ao lado, respeitosamente perguntou se precisava de auxilio e com a resposta positiva, passou a atrelar o Monza em sua pick-up e a ditar instruções para a condutora safar-se da valeta. Após algumas tentativas, conseguiram colocar o Monza na estrada, mas como estava com a direção avariada, Beltrão teve que continuar com o pequeno carro a reboque.

Enquanto dirigia, com a senhora ao lado, iniciaram uma conversa amigável, em que Beltrão se identificou como operário da construção da barragem, "bem ali acima, dona, depois da curva do rio" como bem disse.

A senhora motorista, de nome Miriam, identificou-se como a herdeira das terras da usina. O nome da cidade era originada do mesmo nome do engenho que era uma homenagem a sua bisavó. Divorciada, formada em Sociologia, teve que abandonar a profissão depois que seus pais morreram e o seu marido se foi com uma quenga, filha de um posseiro da região. Tinha um filho que estudava Engenharia e morava na capital e que já lhe dera um neto. "Quem sabe ainda trabalharia na obra", estaríamos todos juntos, completou toda entusiasmada com a nova amizade e eternamente agradecida pelo auxilio recebido, conforme suas palavras.

Um café tirado na hora abriu caminho para convites para outros cafés, quando passasse pelo local, que se tornou rotina, principalmente quando, nos domingos o Beltrão voltava da missa da Paróquia de Bom Jardim, ao final da tarde.

A simpatia entre os dois com o tempo virou tesão acumulado e proporcional ao tempo de separação da socióloga, conjugado com o quadrado da distancia da esposa e assim o inevitável aconteceu. As visitas se tornaram frequentes e o cafezinho vespertino, passou a ser encontros santificados de alcova depois da missa dos domingos.

Beltrão passou a ficar durante a noite, até a saída matinal para a obra. Já se considerava um morador do velho casarão. Percorria o longo corredor para usar o banheiro onde mijava de portas abertas. Abria armários, usava o pijama e chinelos do ex, que ficaram após a separação e assim seguia a rotina dos domingos.

Num santo domingo, após os exaustivos exercícios de atleta sexual, foi a cozinha beber água na geladeira, enrolado apenas com uma toalha. Por surpresa, encontrou as luzes acesas e um casal jovem com um garotinho, fazendo um lanche.

Beltrão pigarreou, e quando a familia virou-se, ele os cumprimentou:

- Olá, você deve ser o Pablo, filho da dona Mirian, estou certo?

Beltrão bebeu um gole de água e um pouco nervoso com a situação, escutou o garotinho dizer:


- papai, como a mamãe disse este é o lobo mau que está comendo a vovó.

Beltrão engasga com a água, deixa cair o copo e a toalha que estava enrolada no corpo, ficando pelado na frente da familia de seu enteado temporal.



Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 06h19
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A PLACA DOS 60

Viajo no limite que o carro e a estrada permitem. O trecho acidentado ficou para trás, já não há mais curvas perigosas.  A placa de 60 sinaliza que devo diminuir a velocidade.  A sensação de que vou capotar na próxima curva deixa de existir.

A bola de sol, no ocaso às minhas costas, iluminou os caminhos sem volta que escolhi. Agora este mesmo sol emite seus raios mais difusos e alongados e devo dirigir pela experiência e pela intuição desenvolvida.

Até a onde a vista alcança, estrada segue sem sinuosidades e, desde que escolha bem o traçado a percorrer, chegarei ao destino final sem percalços.

Significativa, a placa de 60 que regula minha velocidade, remete a lembranças das trilhas que percorri, dos caminhos por onde andei , dos amores que tive, dos acordes que escutei e dos meus erros e acertos que cometi.

Aproveito a tranquilidade da viajem e troco a musica de swing baiano que ecoa dos auto-falantes por uma Ave Maria cantada por Sarah Brigtman, num arranjo que remete à minha infância de Juazeiro da Bahia. Exatamente às seis da tarde, o alto-falante do poste iniciava esta mesma canção que era o sinal para a merenda da tarde, ainda sinto o cheiro da manteiga de garrafa derretida com queijo de cabra.

As lembranças voam até os presentes momentos e sinto que a travessia foi longa, mas cheguei à placa dos 60, marco de vida.



Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 21h04
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CONDUZIDO POR UMA CADELA

A cada dia ele levava sua cadelinha ao parque. Essa obrigação o acalmava, pois seguia a trilha que o seu cãozinho escolhia. Literalmente era

levado por uma cadela.


Ficava fascinado pelas alternativas de trajeto que seu cão o proporcionava. Sempre com o olfato a orientar, a pequena perra escolhia as árvores,

os postes, os pés dos bancos  para exercitar seu olfato e o seu dono se deixava levar.


Naquele instante, o durão, o casca grossa, o carne de pescoço, como era chamado por seus subordinados, se transformava num dócil

acompanhante da dondoca cadelinha.


Encantadora, a cadela fazia sucesso com seus cachos de pelos brancos bem penteados e com seus adereços coloridos. Seu dono procurava

combinar suas camisas com a tiara de antenas iluminadas da cadela e assim formavam um par encantador e charmoso.


Uma tarde de domingo ensolarado, passeavam pelo calçadão da avenida, entre as trilhas dos jardins, com a cadelinha fazendo suas necessidades

e o dono recolhendo. Distraído, não percebeu a movimentação de uma gente alegre e colorida que subia a avenida. Alguns também com os

seus animais de estimação e se viu envolvido em uma turma animada que cantava músicas atuais e alegres.


Seguindo a cadelinha, seguindo a canção foi seguindo a turma e cantando as musicas que animavam o cortejo. Estava feliz naquele dia,

completamente despojado do stress que carregava durante a semana de trabalho.


Numa parada para travessia de rua, curiosos registraram em suas câmaras, fotógrafos clicaram seus flashes, cinegrafistas rodaram seus vídeos

para os noticiários. Virou capa de jornais e de revistas, destaque em telejornais,compartilhamentos no Facebook. 

Por detrás de sua imagem, envolvida em bandeiras do arco iris GLS, uma faixa o comprometeu:


- SAUDAMOS OS PARTICIPANTES DA PARADA GAY DE PIRINÓPOLIS.


Envergonhado, no dia seguinte teve que mudar do batalhão que comandava na cidade levando a sua cadelinha encantadora.



Escrito por deoqueiroz às 07h27
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O BASQUETE DOS DOMINGOS

A bola sobe das mãos do arremessador, bate na tabela de chapa, rodopia duas vezes no aro empenado e duro mas não entra na cesta de correntes.  Era a última bola, aquela que fecharia em vinte e um e a bola sobra para mim que abraço e a seguro.

Muito mais que um lance comum do basquete, esta movimentação representou a passagem da responsabilidade de manter acesa a reunião esportiva dos domingos patagônicos.

Começou com Sabaté, batendo a sua bola, subindo a Av. Argentina para ir jogar sozinho na quadra pública da Av. Leiloir. Aos poucos. foi convidando a um e a outro, brasileiros ou argentinos e assim conseguiu formar um grupo que assiduamente passou a freqüentar o basquete do Sabaté. Com frio de Bajo Cero ou com calor de 42ºC, com ventos que desviavam as bolas mais certeiras e que serviam de justificativas, estávamos sempre jogando nas matinas dos domingos.

Sempre com piadas, com bromas ou chistes, mas com uma unidade de grupo esportivo para aliviar as agruras da Patagônia.

Diziam as más línguas que, já que a bola era sua, o regulamento também era dele, que registrava:

·         Artigo 1º: As infrações e pontuações serão decididas por Sabaté.

·         Artigo 2º: Em caso de duvida, prevalece o disposto no Artigo 1º.

Tudo brincadeira que se encerrava num almoço regado a um bom vinho, acompanhado pelos doces e bolos da D. Edna, que assim cativava aos mais assíduos boleiros.

Hoje, a responsabilidade de manter o grupo está comigo, simbolicamente a bola já foi passada depois da volta do Sabaté e já penso em fazer pequenas alterações no regulamento, coisa pouca, somente mudarei o nome.

Segurando a bola do jogo, ainda ecoa um “puta de la madre” desabafado pelo arremessador Sabaté, após o lançamento que não entrou na tabela de chapa metálica, gravada com o nome e telefone de Enzo o serralheiro, com aro empenado e cesta de correntes.

Valeu, amigo...

 



Escrito por deoqueiroz às 22h09
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LIÇÕES DO FUTEBOL

As entrevistas e os comentários que se tem feito sobre este jogo do Barcelona contra o Santos tratam de uma constatação obvia de que o futebol praticado pelas equipes brasileiras está empobrecido de jogadores, técnicos, comentaristas e dirigentes.

Na medida em que as bolas altas representam os números mais eficientes de gols obtidos, na medida em que  os alas são os elementos mais importantes das equipes com um trabalho insano de marcar atacantes ou alas que sobem e atacar para alçar bolas na área adversária, vemos que algo está equivocado.

Os treinadores com sua empáfia discutem em suas entrevistas o posicionamento dos defensores em quatro ou três, o que tornaria uma equipe mais ou menos ofensiva ou vice-versa. Os comentaristas no seu soberbo conhecimento endossam as verdades dos “treineiros” que somente se preocupam em treinar bolas paradas e arremates a gol.

Vimos um Barcelona que independentemente de sua estrutura que privilegiou a formação de jogadores, apresenta uma equipe com uma preparação física excelente, com todos os jogadores se deslocando e um uma troca de passes incessante, muito acima da média mundial. Registros estatísticos indicam uma troca de passes de aproximadamente 750 passes por jogo, enquanto a média normal é de 300, numa equipe razoavelmente bem treinada (?). Lembro do “amarelo e preto” do Vangil que jogávamos e em algumas situações atingíamos de vinte a trinta toques antes de chegar ao chute a gol. E era uma equipe de veteranos, que a correria não funcionava no calor do Rio de Janeiro.

Pergunto, qual é a equipe brasileira ou treinador que ainda pratica o coletivo de dois toques. Era a base de nossa preparação técnica do futebol. Depois de Lazaroni, os “treineiros” resolveram inovar e cada vez mais tornaram a sinfonia, a academia a orquestra num samba de crioulo doido, com muitas faltas na ânsia de recuperar a posse de bola e correria do ala que privilegiava a triangulação do meio campista empolgado com o calor da torcida.

Enquanto o Neymar falava que tomamos uma aula  de futebol, o Guardiola falava que aprendeu com o futebol brasileiro do passado.

Triste ironia e ainda falam que somos saudosistas...



Categoria: ESPORTIVOS
Escrito por deoqueiroz às 20h41
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O PODER DA CONCORRENCIA

A emergente economia que aflora nos mais profundos rincões do Brasil atual faz com que muitos empreendedores procurem abrir seu comércio, sua indústria, com muita voluntariedade mas com pouco conhecimento do que seja seu proprio negócio e principalmente das relações com seus concorrentes.

Michael Porter, academico americano que atua na área de Estratégia Empresarial, desenvolveu um modelo de análise da concorrencia, que denominou as Cinco Forças da Concorrencia. Este modelo propõe que a atratividade potencial de um ramo de negócio pode ser analisada através do exame das Cincos Forças antes de abrir seu empreendimento. Esta análise correlaciona a intensidade de competição com o poder dos produtos substitutos, com o poder dos fornecedores, com o poder dos compradores e o poder dos novos entrantes.

A primeira força obviamente que está correlacionada com intensidade de competição entre as empresas. É impactadada por fatores como: o número, a homogeneidade dos participantes, a distribuição dos playeres no mercado, a especificidade dos investimentos e a estabilidade da demanda e dos suprimentos dos insumos.

A segunda força está relacionada com a participação de produtos substitutos ou de produtos que, de alguma maneira, podem substituir o seu produto. Essa força, é preponderante numa área com poucos concorrentes diretos ou onde há dificuldade de crescimento dos fornecedores de insumos. Obviamente, o participante fica limitado, sem muitas margens de manobras. Numa industria dinâmica com muitos playeres e com a demanda e fornecedores estruturados e bem distribuídos, o poder dos produtos substitutos não é marcante.

As duas outras forças que impactam os resultados estão relacionadas com o poder dos compradores e o poder dos fornecedores. Em ambos os casos, a empresa tem que estar atenta à quantidade de fornecedores ou de compradores e às suas distribuições. Quanto mais pulverizados estiverem os fornecedores ou compradores, estes terão menor poder de atuação. O autor propõe a utilização de uma matriz de fornecedores, onde se pode avaliar a importância do fornecedor na cadeia de suprimentos do comprador.

A quinta força está correlacionada com o poder dos novos entrantes no mercado. Além desta força, são ressaltados dois componentes que de uma certa forma afetam os mercados. O primeiro é referente à participação do governo com seu poder regulatório dos mercados. A ação governamental pode afetar níveis de rivalidade, o poder dos compradores e dos fornecedores, assim como, restringir ou incentivar a participação de novas empresas na industria. O segundo componente refere-se ao histórico do setor de comercio ou industria e suas instituições. Empresas sólidas que estão operando por um longo período de tempo demonstram um nível de resultados melhor que industrias incipientes o que provoca um elevado índice de falências. Os levantamentos existentes registram o encerramento de mais de 60% de empresas novas que fecham suas portas em um prazo máximo de dois anos.



Escrito por deoqueiroz às 10h47
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ENGENHARIA: ESTIMATIVA OU CHUTE?

Em vários momentos da nossa vida profissional somos solicitados para avaliações em obras de engenharia.

São parentes que pedem para um puxadinho dos fundos, outros que aparecem com recortes de revistas de decoração e querem saber quanto vai custar colocar todos os recortes num terreno de 10 x 10m. Ou às vezes, o cliente que quer saber de “custos estimados“ para uma alternativa de projeto.

Os americanos chamam de “rule of thumb”, os suecos de “tummregel” e os argentinos de “regla del pulgar” às tentativas de uma aferição baseada na experiência do avaliador, sem ter contudo uma base cientifica ou instrumento de precisão. Esta expressão tem sua origem no uso, pelos antigos carpinteiros, do dedo polegar como unidade de medida de seus serviços.  

Indiretamente reflete a imprecisão ou a incerteza das medidas. Quanto mais se aproxima o polegar do objeto, mais precisão se obtém da medida. O balançar do polegar com o braço esticado a frente significa que uma estimativa está sendo produzida pelo sinalizador com uma precisão exata do “mais ou menos”. 

No Brasil, a expressão muda para o uso da palavra CHUTE. Como típico do brasileiro, a expressão foi buscada no futebol e representa uma tentativa de se acertar um alvo, uma meta ou um gol. A precisão da estimativa está na qualidade do avaliador no atingimento de sua meta.

Alguns colegas engenheiros definem a palavra CHUTE como um agrupamento de letras iniciais de ciências que se fundem para determinar a real acepção da expressão.

Assim, o vocábulo CHUTE representaria um Cálculo Heurístico Universal Teórico Estatístico. Ou seja, um cálculo que se utiliza da Heurística - ciência baseada em experimentos anteriores; um cálculo que é Universal porque é de uso comum no Universo da Engenharia; é Teórico por que não é embasada em cálculos matemáticos ou fundamentos científicos e é Estatístico porque embute graus de certeza na predição.

O grau de certeza da precisão da estimativa tem sido exaustivamente discutido no âmbito da Engenharia e variado segundo o ponto de vista do avaliador. O ICEC, International Cost Engineering Concil, define margens de erro ou graus de variação de orçamentos baseadas em dados disponíveis, de acordo com a tabela abaixo:

Estudo de Viabilidade econômica

+/- 25% a 30%

Orçamentos com o Projeto Básico

+/- 10% a 15%

Orçamentos com o Projeto Executivo

+/- 5% a 10%

 

São valores reconhecidos internacionalmente que podem ocorrer em função das informações existentes no instante da avaliação.

Estudos de viabilidade econômica são elaborados a partir de um anteprojeto, com alternativas indefinidas e especificações genéricas. O grau de precisão é elevado face à incerteza dos dados disponíveis. Nesta etapa se define a viabilidade técnica e econômica do projeto.

Na etapa seguinte, de Projeto Básico, se elegem as alternativas técnicas e econômicas mais viáveis e são fornecidos os elementos necessários e suficientes para caracterizar as obras e/ou serviços e que possibilitem a determinação, do custo do projeto e definição de métodos e prazos de execução e com o nível de precisão adequado ao proprietário do empreendimento. Esta etapa consolida o escopo dos serviços.

Com o Projeto Executivo disponível, o grau de assertividade aumenta e a incerteza da precisão do orçamento regride. Nesta etapa, são contemplados os levantamentos topográficos, os ensaios e sondagens de verificações das condições locais do projeto, os detalhes construtivos, as especificações complementares e com estes elementos se reduzem as indefinições e incertezas que impactam os orçamentos.

Assim como os carpinteiros da Antiguidade que aproximavam o polegar do objeto trabalhado para ter precisão em suas medidas, é fundamental que os engenheiros tenham a responsabilidade de aprofundar-se nos detalhes de um projeto de modo a ter um maior grau de certeza em suas estimativas.

CHUTE...  somente para futebolistas. 



Categoria: TÉCNICOS
Escrito por deoqueiroz às 00h47
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CHEIRO DE SAUNA GAY - Estorias de obra

Por ser muito metódico e organizado, a Gervasio era atribuída a elaboração do Data book da obra. Documento de vital importância no registro de todos os eventos ocorridos durante a fase de construção.

Tinha que colecionar resultados de ensaios dos controles tecnológicos, compilar os dados dos levantamentos topográficos tanto das primitivas quanto das seções de terraplenos executados.

Em sua memória digital guardava o scanner do andamento das estruturas de concreto, assinalando as performances, os atrasos e os desvios de avanços.

Como resquício de sua época militar, era autoritário com sua equipe e tinha o respeito dos demais devido aos seus mais de trinta anos de empresa. Com seu bigode farto, porém grisalho, tratava a todos como um sargentão, ecoando a sua voz nos corredores longos do escritório de obra.

Seus membros da equipe se esquivavam quando punha os apetrechos de proteção individual e pendurava a câmara fotográfica especial para sair pelo campo a monitorar o andamento das obras.

Em alguns momentos e principalmente quando tinha novatos na equipe, as imagens das construções eram mescladas com closes de flores, panorâmicas de por do sol, das ondas das águas represadas e mais ainda de fotos do desafortunado acompanhante, em perfil a contra luz, de torso nu, contrastando com as montanhas do horizonte. 

Distraidamente, algumas fotos foram parar no arquivo geral da construção, mas nada que comprometesse o Gervásio. Porém fizeram os seus subordinados se esquivar de sair ao campo para acompanhar nas tarefas incumbidas ao setor. A rádio peão já identificava o intento e, quem fosse, caía na boca da peaozada.

Mas quem derrubou mesmo o Gervásio, foi a Cleonice. Responsável pela limpeza do restaurante, sempre reclamava do mau cheiro que ficava nas mesas e balcões a cantina, a cada inicio de semana. E de tanto reclamar, conseguiu do chefe da obra a compra de fragrâncias olorosas para disfarçar o mau cheiro que incomodava a muitos.

 No primeiro dia da aplicação da essência odorífera, Gervasio com suas narinas afiadas, reconhece o olor, e ao lado dos seus meninos de trabalho, com o garfo e faca nas mãos, saúda a Cleonice, para que todos ouçam:

 - Até que enfim, menina, parabéns, o restaurante está com cheiro de sauna gay!!!!



Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 23h29
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ALEGRIA DE SER AVÔ

Um belo domingo de poucas cinzas no céu e sol brilhante, apesar do frio, recebo uma ligação de meu filho Bruno, com a noticia:

- Salve , salve, vovÔ!!

Me senti um pouco confuso e alegre. Estaria preparado para ser um bom avÔ?

A chegada do primeiro neto é um momento deciciso na trajetória das pessoas.

Não chega a modificar a vida como em um nascimento de filho, mas traz grandes mudanças nas relações familiares.

Uma imensa alegria, uma injeção de animo na vida. Uma nova fonte de afeto que chega quando os  sentimentos começam a ficar enrijecidos.

É o momento de trazer ao coração um carinho ocioso não mais exercitado com os filhos que cresceram, que se tornaram adultos e fizeram suas proprias opções de vida.

Os netos nos contagiam com alegria infantil e nos faz voltar à primeira infancia.

Nas palavras do psicologo argentino Javier de las Heras: "Cuando nace el nieto, los abuelos consideran definitivamente a su hijo como un adulto, y le tratan como a un igual".

 
Obrigado Bruno, pelo presente que me trazes.



Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 22h39
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OS RATOS INCOMPTENTES

“A tua piscina está cheia de ratos”. Esta frase não é minha, mas vem martelando minha cabeça, já há algum tempo. De Cazuza, representa o que há de mais atual na estrutura política do Brasil.

Em menos de seis meses, os escândalos se multiplicaram numa proporção assombrosa e que faz corar as frias e álveas colunas dos palácios brasilianos.

O sistema político brasileiro degringolou-se na medida em que o foco passou direcionar as políticas para as disputas eleitorais, para as disputas pelo poder, para a agregação de forças de sustentação nas câmaras de representantes.

Cristovan Buarque expressou bem esta mudança quando disse: “Políticos comunistas, socialistas e capitalistas liberais lutavam pela democracia, e pela igualdade e fraternidade. Seus partidos se organizavam por suas bandeiras para lutar por um país melhor para todos. Ao perderem bandeiras, os militantes se transformaram em filiados, os políticos em carreiristas e os partidos em clubes eleitorais. As bandeiras, causas e idéias foram substituídas por metas eleitorais; os discursos e convencimentos pela manipulação do marketing; e os candidatos e políticos substituíram os líderes e estadistas. A luta foi substituída pelo apego aos cargos”.

Cargos que trazem prestígio, cargos que trazem poder, cargos que trazem manipulação de verbas, cargos que trazem desvios do dinheiro público, sem a menor consideração com ética pessoal e embasada numa pretensa impunidade permitida pelos melindres jurídicos.

Os ratos incomPTentes passeiam pelas largas avenidas de Brasília. Associados a outros ratos de agremiações diferentes, mas com o estigma da corrupção estampado na testa, procuram sorver o patrimônio publico até a última gota. Na sua contumaz incomPTencia, dezenas, centenas são presos, mas outros aparecem e ressurgem incomPTentes no sorvedouro dos nossos impostos.

O resultado está visível com as estradas esburacadas, com os hospitais públicos sucateados, com a educação empobrecida de alunos sem merenda e de professores na penúria.

Precisamos acabar com esta forja de ratos que assombra os buracos brasilienses. Precisamos dar um basta nesta calamidade que está se tornando um estigma para todos brasileiros.

A nossa piscina está cheia de ratos...

Um pouco mais de indignação vem ao ver o video apresentado no link anexo:

http://www.youtube.com/watch?v=4b1aCNq6wLs

 



Categoria: POLÍTICOS
Escrito por deoqueiroz às 23h58
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SOU DO TRECHO


Para os que não conhecem a expressão, ser do trecho, significa ser de obra, significa dar seu sangue e quase toda a sua vida a rodopiar feito pião pelas obras que a empresa te encaminha.

Este texto, recebi do Engº Yorgy Koury, filho de meu conterraneo de Juazeiro e colega de universidade Jorge Karaoglan e representa todo o sentimento destes homens que se dedicam a levar a técnica da engenharia a todos os cantos de Brasil e do mundo. 

 


Eu Sou Du Trecho...

Ser do trecho é arrumar as malas sem saber o que vem pela frente com
uma única certeza: eu tenho que me acostumar!!!

É estar longe da família e dos amigos de confiança e conviver com
pessoas que, geralmente, nunca viu e tentar fazer delas seus novos
amigos, aprendendo sua cultura, sua lingua, suas musicas e danças, pois é com eles que estará convivendo dali pra frente.

É não ter todos os dias o abraço da mãe, do pai, dos irmãos, do marido
ou da esposa; e gastar um dinherão de telefone ou Skype, quando tem sinal, para poder apenas ouvir
a voz deles.

É ter a alegria de reencontrar um amigo de trecho que não via há anos,
se emocionar e constatar que "o mundo é grande, mas o trecho é
pequeno".

É acordar bem cedo para ir pro trampo e não saber a que horas vai
voltar; mas se sai mais tarde fica feliz de anotar mais uma hora extra
no seu caderninho.

Ser do trecho é cochilar depois do rango no serviço em qualquer lugar...


Ser do trecho é falar mal do GATO (firma) quando o dinheiro não cai no
dia certo e sair espalhando que não caiu!!!!

Ser do trecho é sair espalhando que a grana caiu e já aproveitar pra
chamar a turma para comer água mais tarde e dizer que hoje não vai ter puta pobre (se for baiano então...)

É fazer, geralmente, trabalho desgastante e de responsabilidade,
correr riscos, e estar sempre com o sorriso no rosto.

Ser do trecho é ficar louco para ir para casa ver a família, sempre
está ligado em promoções de passagens aéreas pra poder visitar a
família.

É sempre passar um tempão tentando explicar porque leva essa vida e
ninguém nunca entende, mas não precisa ficar muitos dias, porque não
consegue mais ficar longe do trecho... é querer logo viajar de novo.

É ter tudo cabendo em uma mala bem grande, e deixar o resto pra trás
nas repúblicas por onde passa...

Ser do trecho é ser amigo, ser divertido, ser carente, ser batalhador.

É ser um ombro amigo para um colega que no desespero pensa em chutar o balde e ir embora

É sempre saber jogar dominó, baralho, sinuca ou tótó...

É correr os sites de futebol al vivo para acompanher os jogos do seu time de coração, transmitindo sua energia via Internet, como estivesse nas arquibancadas enrolado no bandeirão.

É marejar os olhos e engasgar, ouvindo o Hino Nacional, quando dos jogos da seleção

É não ter feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga e
sempre está pronto pra trabalhar fim de semana.

É ter a sanidade mental posta em cheque antes dos 5 meses de trabalho
no GATO(empresa).

É ter vontade de desistir,...pois
tem horas que dá vontade de largar
tudo e ir embora... tem horas que bate um desespero, uma saudade... em pensar na
turma de escola, nos amigos, na familia...

É não se apegar ao teu lar, pois ter que se apegar a um lugar fixo
deixará tua alma IRRIQUIETA E ANSIOSA PELO AMANHÃ...

É fazer muita amizade, conhecer lugares diferentes, culturas
diferentes, a gente conhece o nosso País.

Ser do trecho é uma questão de estilo: ou vc tem ou vc não tem...

Se fosse pra ter um adesivo no carro, o mesmo seria: "Orgulho de ser do trecho"

Só quem vive sabe como somos e como estamos...

SOMOS GUERREIROS E PENSAMOS EM UM FUTURO MELHOR PARA NOSSOS FILHOS...

Tem gente que diz que a gente é bicho burro, mas eu digo:

A gente que é do trecho, é gente BOA!!!!!



Categoria: COTIDIANO
Escrito por deoqueiroz às 16h17
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A COISA E O COISISTA

Não sei quem é o autor dessa coisa, mas só sei que essa coisa é uma coisa boa de ler,  e me fez lembrar de um amigo vascaíno...

A Coisa

      A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

      A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?".

      Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego).

Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

       Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

       Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

        Devido lugar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

        Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

        Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

        Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".

         Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra  ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.         Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".

        Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

        Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa...Já qualquer  coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem."

         Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

        Feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".

         

        Se em nome do poeta, coisa virou cousa, em nome do vascaino, coisista tem outra referencia.

Coisista virou simbolo do torcedor flamenguista, desde o momento que o flamengo virou coisa.

       JEOVÁ, ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?



Escrito por deoqueiroz às 21h32
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BIEN, ERRAR É U MANO

Depois que escrevi os comentários do post passado, sentei na frente da TV para assistir ao jogo do Brasil, esperava não ter que pagar pelos comentarios do jogo da Argentina...

BIEN, ERRAR É U MANO

Pus a bandeira amarelinha na sacada da varanda e abri uma Quilmes Stalt, da negra para lembrar da nossa raça...

BIEN, ERRAR É U MANO

Comecei a me animar com a troca de passes, com as arrancadas de Maicon, com as pedaladas de Robinho, com as firulas de Neymar, mas o gol não saia....

BIEN, ERRAR É U MANO

O tempo passa, o desespero começa a chegar na meninada, cada um querendo resolver a sua maneira, e as jogadas ridículas começam a aparecer...

BIEN, ERRAR É U MANO

Vi que a passagem do Maicon, que vem desde a era de Cafu e Roberto Carlos, foi fechada pelo técnico paraguaio que ainda colocou um autentico ponta esquerda para prender o coitado que tinha que voltar correndo para cobrir a ele mesmo..

BIEN, ERRAR É U MANO

O meio campista Lucas, galego europeu, estava mais para limpador de para brisa do que volante, correndo de um lado para outro para cobrir os avanços pífios dos laterais...

BIEN, ERRAR É U MANO

Notei uma linha de defesa mal armada e desprotegida, se safando a base de muito esforço e de muito chutão na saída de bola.

BIEN, ERRAR É U MANO

 

Um meio de campo que não arma, não chuta e nem chega junto, apático e sem criatividade, aguardando o Neymar, muito marcado, resolver...

BIEN, ERRAR É U MANO

Assisti uma cobrança de pênaltis descompromissada, que nem o meu amigo Abraão cobraria tão mal. Pelo menos o Abraão acertava alguma coisa, a bandeirinha de escanteio..

BIEN, ERRAR É U MANO

Na varanda, ao recolher a minha bandeira amarelinha, vi algo passando, pensei que fosse o retorno dos aviões depois das cinzas do vulcão, mas apertando  vista, deu para ver a bola e reconheci a patada de Elano que chegou por aqui, na Patagonia, a 1200km de Buenos Aires...

BIEN, ERRAR É U MANO

Para os amigos argentinos, eliminados na véspera, só tive a desculpa de ter ido embora, por educação e consideração pela saída antecipada do anfitrião da festa...

                                                                                                                PORRA, ESTA EU ACERTEI



Categoria: ESPORTIVOS
Escrito por deoqueiroz às 23h08
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